Sexta-feira, 30 de Março de 2007

Portugal e os portugueses

Sem dúvida que todos temos a obrigação de reflectir sobre o presente do nosso país.

Comecemos pela escolha do Salazar como a personalidade mais importante da nossa história.

Sabemos que constavam dois escritores, Luís de Camões e Fernando Pessoa, e o rei, D. Afonso Henriques, que tornou Portugal um país, um país independente. Escolhemos Salazar! Porquê? Simplesmente porque os portugueses estão cansados da actual política, ou seja, no tempo de Salazar tinhamos de agradar a um ditador, hoje temos de nos submeter a muitos ditadores: desde o primeiro ministro aos restantes ministros que ele escolheu. São as consequências das maiorias absolutas.

Também podemos concluir que os portugueses não estão sensíveis à literatura porque não gostam de ler. Estão perdidos nos labirintos do consumismo, do facilitismo, do zapping e do nihilismo. Como podemos ser inteligentes, cultos se não desenvolvemos a nossa inteligência? Não é a ver o futebol ou as novelas que nos instruímos, mas é a ler. A leitura é o principal exercício para o cérebro. Não se esqueçam disso.

Existiam também personalidades ligadas aos descobrimentos. Fomos grandes descobridores, porquê? Aventuramo-nos no mar porque passavamos fome e porque não podíamos lutar contra castela para alargar o nosso território. A única solução era metermo-nos dentro de uma nau e deixarmo-nos arrastar pelo mar. Tivemos sorte!...

Vale a pena pensar nisto!!!

publicado por miguelamori às 17:36
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6 comentários:
De Miguel a 2 de Abril de 2007 às 16:43
Então campeão...
gostei de ver o teu blog, está muito bom, só precisa de umas fotos. Grandes reflexões, continua. Estás no bom caminho.
Também fiquei contente com o teu novo site. Ainda falta muitos dados neste sítio mas penso que com o tempo vai ficar muito bom... não te esqueças de colocar algumas reflexões, textos e poemas teus no site.
Um enorme abraço para o grande amigo e para o melhor escritor da actualidade, melhor que Luís de Camões.
De Zé da Burra o Alentejano a 18 de Abril de 2007 às 16:56
Apesar dos grandes defeitos, Salazar também teve algumas virtudes (ex.: não nos envolveu na 2.ª guerra mundial e por isso manteve as colónias por mais alguns anos...), mas depois de Salazar e antes do 25 de Abril esteve no poder Marcelo Caetano, que fez algumas reformas sociais em favor do povo. Ficou esquecido, pois alguns dos benefícios sociais e reformas que criou estão a ser hoje também retirados juntamente com as "Conquistas do 25 de Abri" por um governo que se diz social(ista).

Concordo que o voto dos portugueses é um voto de revolta e há que sublinhar o facto de Álvaro Cunhal ter ficado em 2.º lugar, adepto também de uma ditadura, embora de esquerda. As ditaduras são sempre muito perigosas, pois ninguém nos garante que um próximo ditador tenha o perfil de Marcelo Caetano, Salazar ou mesmo de Álvaro Cunhal.

Também ainda ninguém me confirmou que a democracia é a forma de governo melhor: é legitimada pelo voto livre, que é sempre condicionado por uma opinião pública hábilmente controlada por quem detem o poder da informação e por sondagens de intensão de voto que também condicionam o livre voto, embora que de forma subtil. Para quê votar em quem as sondagens dizem não ter possibilidade de ganhar? Assim, o poder girará sempre ao redor dos mesmos partidos.
De Mário Rodrigues a 19 de Abril de 2007 às 10:47
Resposta ao alentejano:
todos têm virtudes e defeitos. Salazar também teve virtudes, até construiu uma ponte, importante para ligar duas margens, a ponte de Salazar, desculpem a "Ponte 25 de Abril". Mas os defeitos de um ditador são sempre maiores que as virtudes. Reza a história que no tempo de Salazar inúmeras pessoas desapareceram, porquê? Simplesmente por serem opositores ao regime. Grande virtude!
Claro que a votação nos dez grandes portugueses parece ser um pouco "ridícula" ou de constestação. Existem grandes portugueses que dedicaram a sua vida aos outros, que levaram o nome de Portugal por todo o mundo, que ajudaram a construir a história de Portugal, porque escolhemos estes? Pode significar que não conhecemos os grandes homens da nossa história. Ainda bem que que alguns iluminados não pensaram em colocar nesta lista Eusébio, Figo ou Pinto da Costa, senão mostrava que estavamos mesmo mal. Grandes escritores se destacaram no nosso país, recordo agora Eça de Queirós, Fernando Pessoa ou Luí Vaz de Camões. Tantos portugueses que podemos escolher... não existem dez mas centenas de portugueses que foram, são e serão o orgulho da nossa nação, só temos de conhecer a nossa história.Quem foi Álvaro Cunhal no meio de tantos ilustres que temos no nosso país? Até eu teria de votar no Salazar.
Sem dúvida que os Media moldam a mentalidade humana e condicionam o voto livre, mas tenho pena que as pessoas votem, escolham o líder de uma nação através de um partido e não através da pessoa que vai liderar um país. Existe o fanatismo partidário como o existe no clubismo, quer sejamos do Benfica, Porto ou Sporting. Assim, nunca iremos a lado nenhum. Sem dúvida que a DEMOCRACIA é a melhor forma de governo porque temos a liberdade para escolher o "ditador" que queremos à frente do país, principalmente quando existem maiorias absolutas. Existem investigações credíveis que nos provam que a democracia é a melhor forma de governo.É de lamentar o facto da consciência dos portugueses ser tão fácil de moldar...
Sou contra esta nomeação dos dez ilustres portugueses, sou a favor que os Media explorem e mostrem ao seu público os portugueses que ao longo da história se foram destacando e que ajudaram a construir a nossa identidade.
Vale a pena pensar nisto!!!
De Zé da Burra o Alentejano a 20 de Abril de 2007 às 10:19
NÃO DISSE QUE SALAZAR NÃO TEVE DEFEITOS.
Porém, julgo justo destacar algumas virtudes:

1º.) A sua honestidade política e humana, pois governou de acordo com aquilo em que acreditava e não se serviu da política para criar fortuna própria, tendo vivido de forma bastante austera;
2º.) Levantou este este país do atoleiro económico em que se encontrava e conseguiu acumular reservas em ouro e divisas que ainda hoje nos são muito úteis;
3º.) Conseguiu habilmente manter o país afastado da guerra de Espanha (aqui ao lado), da Segunda Guerra Mundial (não tomando partido por nenhum dos lados) e, até por isso, conseguiu manter as colónias durante todo esse período e depois da guerra durante mais alguns anos sem quaisquer problemas;
4º.) Mandou construir a primeira travessia sobre o rio Tejo em Lisboa (que você referiu), a qual era uma ambição de décadas;
Mas não esqueço os defeitos e erros:
1º.) O facto de ter estado muito tempo no poder e as suas formas de governação política estarem já desactualizadas no Ocidente. O sistema ditatorial estava desactualizado na Europa Ocidental que já se tinha apercebido de que a “liberdade de expressão” e a "democracia eleitoral" era perfeitamente controlada, desde que fosse compensada com o domínio da comunicação social e com o recurso a técnicas avançadas de controlo de opinião pública. O sistema funcionava nos EUA e estava a ser adoptado na Europa Ocidental. Aliás, al eliminação das liberdades de expressão servia como arma na "guerra fria" contra os países do Leste "comunista";
2º.) O não se ter apercebido que seria impossível manter as colónias por muito tempo, apesar de apressadamente as ter denominado de "Províncias Ultramarinas". Portugal não poderia resistir em várias frentes de guerra quando tinha contra si também alguns países Ocidentais. Alguns posicionavam-se já de forma a disputarem o domínio desses territórios com o Leste;
3º.) O não ter preparado atempadamente as independências inevitáveis das colónias, o que teria evitado as tragédias a que o país teve de sujeitar-se abruptamente no pós 5 de Abril;
4º.) O não ter conseguido desenvolver as potencialidades do país, embora haja uma atenuante: o facto do país estar então quase totalmente isolado do resto do mundo, não podendo, por isso, esperar muito do exterior, por quem era olhado com bastante ostracismo.

Não me ficam quaisquer traumas por Portugal ter sido um país colonialista, como o foram outros países Europeus e não só. Alguns mantêm ainda hoje colónias bastante longe das suas metrópoles, embora não lhes chamem assim: São "Protectorados", Regiões Autónomas", "Territórios Ultramarinos"...
De Mário Rodrigues a 20 de Abril de 2007 às 19:19
Resposta ao Alentejano: concordo plenamente consigo. O facto de ter mencionado a ditadura de Salazar era para alertar para os grandes inconvenientes que as maiorias podem originar, ou seja, podem tornar-se em verdadeiras ditaduras mas com mais que um ditador. Era somente para realçar este facto. Já agora gostava de saber a sua opinião àcerca das maiorias.
Um abraço e obrigado pelo seu contributo neste tema.
De Zé da Burra o Alentejano a 23 de Abril de 2007 às 10:14
Há dois tipos de maiorias:
As maiorias absolutas de um só partido, que originam governos mais estáveis, logo com maiores possibilidades de levar avante com um programa do partido, ou seja: de cumprir o compromisso partidário para com os eleitores. Porém, estas maiorias também originam frequentemente o contrário: dada a segurança que dão ao governo, podem levar a que o governo governe de forma ditatorial durante a legislatura, sem atender aos vários interesses em jogo, nem sequer de acordo com as promessas feitas e, portanto, ao contrário das promessas feitas aos seus eleitores.

Existe a maioria absoluta formada por vários partidos que estabelecem um acordo formal (ou não), donde sai um governo também estável mas mais equilibrado em termos de ponderação dos interesses em jogo. Existe uma maior necessidade de não frustrar as expectativas dos seus eleitores.

Já agora também poderá ser formado um governo sem que exista uma maioria absoluta, mas esse governo não dura em geral muito tempo, sofre uma grande pressão e até boicote por parte dos restantes partidos.

Por mim, prefiro a 2.ª hipótese.

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